Opinión

Um Porto de Abrigo e de Esperança no Futuro

A relação entre uma determinada geografia, um território edificado e as gentes/pessoas que o habitam, lhe dão alma e caracter, é, em última análise, aquilo que caracteriza o espírito dos lugares de uma qualquer cidade. Compete pois à polis, à cidade política, a promoção da especificidade dessa relação, em que radica o valor maior que qualquer plano de desenvolvimento económico e urbanístico deve almejar. A cidade do Porto, herdeira de um assentamento multisecular, é uma cidade atlântica cuja génese se relaciona intimamente com o Rio Douro, principal espaço natural do seu território. Sempre foi um sítio de cruzamentos, de encontros, de partilhas, alcantilado nas suas escarpas, mas aberto ao mundo e à diferença. O Porto é bairrista e cosmopolita ao mesmo tempo, e simultaneamente conservador e vanguardista. Deste modo, a complexidade do seu território, a diversidade tipo-morfológica, e o espírito das suas gentes, são os caracteres que definem a matriz da cidade do Porto.

O Porto é bairrista e cosmopolita ao mesmo tempo, e simultaneamente conservador e vanguardista.

É bem sabido que qualquer cidade é mais do que o seu território, do que as suas ruas e avenidas, e do que as suas construções. O Porto sempre foi um sítio de cruzamentos, de encontros, de partilhas, alcantilado nas suas escarpas, mas aberto ao mundo e à diferença. O Porto é bairrista e cosmopolita ao mesmo tempo, e simultaneamente conservador e vanguardista. O Porto tem hoje uma estratégia, um posicionamento e uma proposta de valor, que muito têm contribuído para a dinamização de um ambiente de negócios estimulante, competitivo e indutor de novos investimentos em atividades de elevado valor acrescentado, intensivas em conhecimento e inovação nas várias áreas da atividade económica.

Ao longo dos últimos anos, o Município do Porto, através da InvestPorto, apoiou cerca de 310 projetos, 300 dos quais representam novas intenções de investimento. Os investimentos internacionais representam 60% dos projetos apoiados, provenientes de mais de 30 países, o que reflete o crescente reconhecimento da cidade pelo seu ecossistema empreendedor, pelo contexto tecnológico e, sobretudo, pelo talento dos seus recursos.

O Município do Porto, através da InvestPorto, apoiou cerca de 310 projetos, 300 dos quais representam novas intenções de investimento.

Existindo hoje uma renovada vitalidade na cidade do Porto que nem a crise pandémica do Covid 19 será capaz de defraudar. Evidentemente com problemas que perduram, com dores de crescimento do período pós-crise, a cidade tem de forma inequívoca hoje um orgulho próprio e uma ambição otimista de afirmação do seu papel nacional e internacional como cidade média europeia que se quer coesa, interessante, sustentável e segura.

São assim quatro os grandes desafios que pensamos devem condicionar as políticas económicas e urbanísticas da cidade, após o Covid 19, com o objetivo de fazer do Porto uma cidade mais atrativa, mais coesa, mais dinâmica e mais sustentável.

Cidade atrativa

No que diz respeito à atratividade da cidade, o Porto deve reforçar o seu papel de centralidade e referência no âmbito da Área Metropolitana. É a massa crítica do contínuo urbano metropolitano que dará escala à afirmação internacional da cidade.

Cidade coesa

O segundo dos desafios diz respeito à coesão. A cidade do Porto deve continuar o esforço de redução das assimetrias territoriais e socias que perduram. O problema é estrutural e antigo e, nesse sentido, são vários os âmbitos em que qualquer politica económica e urbanística tem que atuar.

Cidade dinâmica

O Porto deve reforçar a sua matriz cosmopolita como cidade de acolhimento. Como é sabido, a cidade sempre se definiu nessa ambivalência entre o bairro e o mundo. É o reforço da força do seu caracter que lhe permitirá a abertura à novidade e ao outro. As atuais condições, favoráveis à afirmação internacional do Porto, devem contribuir para reforçar a sua vocação como cidade aberta, plural, disponível para a diferença, e curiosa pela novidade.

Cidade sustentável

O último dos desafios desta visão de futuro diz respeito à sustentabilidade do desenvolvimento da cidade e do seu território.

É pois chegada a hora de apostar estrategicamente na densificação inteligente das áreas de expansão da cidade, que crie as condições para o sucesso dos desafios colocados à cidade, ao mesmo tempo que defenda os valores ambientais, paisagísticos e patrimoniais do território.

Por último e tal como referido pela economista sueca Charlotta Mellander, professora de Economia na Jönköping International Business School, e também uma das criadoras do índice “Global Cities”, que tem como métrica diferenciadora das cidades o designado “triplo T”  (Talento, Tolerância e Tecnologia), as cidades que marcarão o futuro têm níveis elevados de qualidade de ensino, uma grande concentração de indústrias do conhecimento, altos níveis de criatividade e são também cidades abertas e tolerantes. Tudo isto torna-as verdadeiramente atraentes para uma força de trabalho global.

É este caminho que temos vindo a trilhar nos últimos anos, assumindo a atração de investimento como um dos eixos centrais da economia da cidade e um desígnio estruturante para o seu desenvolvimento. Em suma, uma cidade que se orgulha do seu longo passado, mas que não tem medo de olhar de frente o seu futuro.

Ricardo Valente
Vereador do Pelouro da Economia, Turismo e Comércio da CMP.
Você pode estar interessado
Comentários

Adicione seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Gracias por tu participación
Comparte el manifiesto y contribuye a impulsar la innovación entre empresas, organizaciones y directivos.
Agora você está vendo o conteúdo de APD zona centro.
Se desejar, pode aceder ao conteúdo adaptado à sua área geográfica