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Covid e Vacinação: como gerir “a luz no fim do túnel”

As soluções para dominar a pandemia e devolver a normalidade aos espaços laborais e à vida em sociedade parecem ser cada vez mais. Com a chegada da vacinação, renovou-se o otimismo no combate à Covid-19 – mas, é importante assinalar, nem todas as medidas de prevenção eficazes são farmacológicas. A auto-responsabilidade continua a ter um papel fundamental para minimizar o contágio. 

O uso de máscaras, principalmente em espaços fechados, bem como a lavagem recorrente das mãos, são comportamentos a manter, pese embora o início da circulação de vacinas. Estas medidas foram já confirmadas, por inúmeros estudos científicos, como eficazes e devidas. Por isso, mesmo com a “luz no fim do túnel”, a atuação das comunidades, a nível global, deve continuar ininterruptamente alerta.

A vacinação é segura?

Ana Céspedes, Diretora Geral de Operações da International AIDS Vaccine Initiative (IAVI), garante que a curta duração dos ensaios clínicos para o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19 não põe em causa o nível de eficácia das mesmas. Embora considere que a desconfiança da população é normal, o panorama de pandemia permitiu a aceleração das investigações através de injeções de financiamento e da análise de dados em tempo real. O investimento para a vacinação contra a Covid-19 relevou-se entre 20 a 30 vezes maior do que aquele que normalmente acontece no desenvolvimento de medicamentos.

As vacinas são seguras e eficazes. Devemos confiar nos nossos organismos reguladores que as autorizaram.

O recrutamento de pacientes, que pode demorar três anos a ser concluído na maioria dos ensaios clínicos, foi feito em semanas. Isso levou a que os resultados fossem obtidos mais rapidamente, mantendo a qualidade e a exigência necessárias para que as soluções de vacinação pudessem avançar para o mercado. Ainda assim, a especialista acrescenta que nem tudo são certezas.

Não temos 100% da informação, sobretudo no que toca à duração da proteção. É impossível, porque [as vacinas] acabaram de ser aprovadas.

Essas aprovações devem, contudo, continuar. As três vacinas de países ocidentais que agora estão em circulação não irão ser suficientes para responder à pandemia no tempo estipulado. Por isso, é necessário obter dados sólidos sobre as restantes vacinas: as duas da China, a russa e a indiana. Dessa forma, mais doses estarão disponíveis para serem administradas e os objetivos de vacinação serão mais rapidamente atingidos.

Ana Céspedes garante que o processo de vacinação irá durar mais de um ano, relembrando:

“Existem países que conseguirão avançar antes, porque têm mais recursos, e isso irá enfatizar a divisão que temos no mundo; outros levarão mais de dois anos e meio”.

A especialista afirma, ainda, que são necessários mais acordos de colaboração entre companhias, tomando como exemplo o caso da Novartis e da Sanofi. Ambas as empresas anunciaram recentemente a suspensão de todos os seus outros projetos, para que a sua capacidade produtiva se possa dedicar totalmente à vacinação contra a Covid-19. 

Os trabalhadores terão que ser vacinados?

À luz de cenários como os que ocorreram na China e na Rússia, em que militares, professores e profissionais de saúde foram obrigados a ser vacinados numa altura ainda bastante preliminar, as comunidades poderão questionar-se sobre a obrigatoriedade da vacinação para a Covid-19. Segundo a Diretora Geral de Operações da IAVI,  esta deve manter-se um ato voluntário. Os exemplos chinês e russo não deverão servir de mote para que, no ocidente, as empresas possam obrigar os seus trabalhadores a serem vacinados. 

Nos Estados Unidos já se estão a usar incentivos à vacinação, é algo que está a acontecer em várias empresas norte-americanas. Mas obrigar, parece-me difícil.

Lições para o futuro

O contexto de pandemia trouxe inúmeros inconvenientes e múltiplas transformações. No meio do caos gerado na saúde pública, o facto de estarmos há cerca de um ano a viver sob a ameaça coletiva do coronavírus permite que se possam retirar algumas lições sobre situações de crise. Especialmente quando essas crises atacam aquilo que de mais precioso existe na nossa sociedade, e que, por isso, têm a capacidade de imobilizar a comunidade através do medo e da incerteza.

Ana Céspedes relembra que, nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), menos de 3% do orçamento para o setor da Saúde se dedica à prevenção.

Espero que esta crise nos tenha ensinado que investir em prevenir é muito rentável.

As doenças infeciosas são um problema mundial e, como tal, requerem soluções globais. Por isso, a colaboração internacional para prevenir cenários pandémicos não deve apenas existir quando a doença já se encontra em circulação. Como destaca a especialista, é necessário que se estabeleçam protocolos de atuação, de forma a inverter a lógica atual, preservando o bom funcionamento das empresas e a estabilidade das comunidades. 

Outra das mais relevantes lições prende-se com a certeza de que as soluções farmacológicas não trabalham sozinhas. Antes dos medicamentos e tratamentos serem desenvolvidos, ou das vacinas serem aprovadas, a auto-responsabilidade já deve estar em ação. E a Covid-19 provou, sem margem para dúvidas, que o comportamento individual pode fazer toda a diferença no contágio próprio e alheio. 

Por último, mas não menos importante, o valor de uma comunicação clara e científica tornou-se indubitável. Numa sociedade cada vez mais exigente, em que a informação viaja mais rápido do que nunca, a demanda por dados e atualizações parece insaciável. Céspedes assinala como é fundamental que sejam científicos a comunicar sobre Ciência, de forma a esclarecer os cidadãos, sem nenhum outro interesse que não a partilha de informação relevante e fiável. 

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